Boas Práticas
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Entidade: PREFEITURA DE SAUDADES Município: SAUDADES UF: SC

Venezuela- Uma Cultura Além da Imigração

Chamamento: CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 001/2026 - “MOSTRA DE BOAS PRÁTICAS MUNICIPAIS” Baixar chamamento (PDF)
ODS 4 ODS 10

Resumo

O projeto foi desenvolvido com o 1º ano do Ensino Fundamental, da Escola em Tempo Integral, promovendo reflexões sobre imigração, acolhimento e diversidade cultural por meio de experiências lúdicas envolvendo língua espanhola, músicas, brincadeiras, culinária e costumes venezuelanos. Ancorado na ERER, o projeto desenvolveu empatia, respeito e pertencimento. A culminância contou com cartas de acolhimento produzidas pelas crianças em ação intersetorial com a Secretaria de Assistência Social.

Categoria temática

Educação

Públicos priorizados

Estudantes Pessoas em situação de vulnerabilidade ou risco socioeconômico/territorial

Participantes

Coordenador da boa prática
Jessica Ribeiro Henz
Email do coordenador
[email ocultado]
Telefone do coordenador
[telefone ocultado]
Órgãos da administração direta/indireta envolvidos
Secretaria Municipal de Educação, por meio da Escola em Tempo Integral, e Secretaria Municipal de Assistência Social, em ação intersetorial voltada ao acolhimento de famílias imigrantes e fortalecimento dos vínculos comunitários.
Equipe responsável
Jessica Ribeiro Henz
Professora
Escola EMEF
Janete Maria Sander Giongo
Orientadora escolar
Orientação EMEF

Detalhamento

Situação problema, oportunidade ou demanda

A prática surgiu da percepção de situações de preconceito e exclusão vivenciadas por crianças venezuelanas no ambiente escolar, relacionadas à forma de falar, condições de vulnerabilidade social e estereótipos ligados à imigração. Diante disso, o projeto buscou conscientizar as crianças sobre a importância do respeito, da empatia e do acolhimento, promovendo uma compreensão mais humana da imigração e valorizando a cultura venezuelana para além dos preconceitos sociais e culturais.

Estrutura necessária para implementação

Equipe pedagógica da Escola em Tempo Integral, estudantes das turmas participantes, apoio da gestão escolar e parceria com a Secretaria de Assistência Social. Foram utilizados materiais pedagógicos e recicláveis, projetor multimídia, caixa de som, mapas, recursos visuais, alimentos e utensilios para oficina culinária. A prática demandou organização colaborativa, rodas de conversa e ambiente acolhedor para desenvolvimento das vivências.

Objetivos da boa prática

Promover o respeito à diversidade cultural e o acolhimento de crianças e famílias imigrantes, desenvolvendo empatia, consciência cidadã e combate ao preconceito desde a infância. A prática buscou ampliar o olhar das crianças sobre imigração, valorizando a cultura venezuelana por meio de experiências significativas, fortalecendo vínculos, pertencimento e convivência respeitosa no ambiente escolar.

Estratégia de implementação

A prática foi organizada em quatro semanas temáticas, com atividades lúdicas, rodas de conversa, experiências culturais e produções coletivas. O planejamento integrou aspectos geográficos, linguísticos, culturais e socioemocionais, utilizando músicas, brincadeiras, culinária, vídeos, tablet e dinâmicas interativas. As ações foram desenvolvidas de forma participativa e interdisciplinar, envolvendo escola, estudantes e parceria com a Secretaria de Assistência Social.

Atividades implementadas

Rodas de conversa sobre imigração e acolhimento; localização da Venezuela no mapa; vivências com palavras em espanhol; produção coletiva da bandeira venezuelana; brincadeiras e músicas tradicionais; oficina culinária de arepas; exibição de vídeo sobre famílias venezuelanas; reflexões sobre empatia e pertencimento; produção de cartas de acolhimento para famílias imigrantes e culminância com quiz cultural.

Início de execução

11/03/2026

Recursos humanos e financeiros envolvidos

A prática contou com a participação da professora regente, equipe gestora, estudantes das turmas envolvidas e parceria com a Secretaria de Assistência Social. Os recursos financeiros foram de baixo custo, utilizando materiais disponíveis na escola, recursos pedagógicos e alimentos para oficina culinária. Não houve necessidade de investimento externo significativo, priorizando criatividade, colaboração e utilização dos recursos já existentes na unidade escolar.

Participação social

A prática envolveu a participação ativa dos estudantes em rodas de conversa, vivências e produções coletivas, incentivando o protagonismo infantil e atitudes de acolhimento. O projeto partiu da realidade da turma, que conta com crianças venezuelanas no convívio escolar diário. Uma família venezuelana da comunidade participou enviando um vídeo relatando por que veio ao Brasil e como se sente vivendo no país. A iniciativa também contou com parceria da Secretaria de Assistência Social.

Resultados

Inovação da prática

A prática inovou ao abordar a imigração na infância de forma sensível, lúdica e humanizada, indo além de conteúdos geográficos ou culturais. O projeto transformou uma realidade presente no cotidiano escolar em oportunidade de conscientização, empatia e combate ao preconceito. A integração entre experiências culturais, escuta ativa, participação de uma família venezuelana e parceria intersetorial com a Assistência Social fortaleceu o impacto educativo e social da iniciativa.

Número aproximado de pessoas impactadas

35 crianças diretamente impactadas e alcance indireto às famílias e comunidade escolar.

Benefícios qualitativos aos grupos priorizados

A iniciativa contribuiu para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor, respeitoso e sensível às diferenças culturais. As crianças passaram a compreender a imigração de maneira mais humana, reconhecendo que muitas famílias deixam seus países em busca de segurança, trabalho e melhores condições de vida. O projeto auxiliou na redução de falas preconceituosas relacionadas à forma de falar, cultura e condições sociais de estudantes venezuelanos, fortalecendo atitudes de empatia, escuta e respeito. As experiências culturais, músicas, brincadeiras, culinária e rodas de conversa ampliaram o repertório cultural da turma e favoreceram o desenvolvimento socioemocional. Para os estudantes venezuelanos, a prática promoveu pertencimento e valorização cultural. Para os demais, incentivou reflexões sobre diversidade, convivência e cidadania desde a infância.

Etapas de implementação e resolução da situação-problema

A implementação do projeto “Venezuela – Uma Cultura Além da Imigração” aconteceu ao longo de quatro semanas, de forma planejada, gradual e interdisciplinar, considerando a faixa etária das turmas do 1º ano do Ensino Fundamental e a realidade vivenciada no contexto escolar e social do município. A prática surgiu a partir da percepção de situações de preconceito direcionadas às pessoas venezuelanas, especialmente relacionadas à forma de falar, às diferenças culturais e às condições de vulnerabilidade social, realidade observada em diferentes espaços da comunidade. Diante disso, percebeu-se a necessidade de desenvolver ações pedagógicas que promovessem acolhimento, empatia e valorização da diversidade cultural desde a infância. A primeira etapa do projeto teve como foco a sensibilização das crianças sobre o conceito de imigração. Inicialmente, foi realizada uma roda de conversa para ouvir os conhecimentos prévios dos estudantes e registrar suas hipóteses sobre o tema. A partir disso, foram desenvolvidas atividades lúdicas, como a dinâmica da “mala imaginária”, em que as crianças refletiram sobre o que levariam caso precisassem morar em outro país. Também foram realizadas conversas sobre objetos e produtos presentes no cotidiano que vêm de diferentes países, aproximando o conceito de imigração da realidade infantil. Na sequência, as crianças conheceram a localização da Venezuela no mapa da América do Sul, compreendendo noções de território, fronteira e diversidade cultural. O uso de recursos visuais, imagens e dinâmicas corporais auxiliou na compreensão dos conteúdos de forma significativa. Ainda nessa etapa, foram introduzidas palavras e cumprimentos em espanhol, promovendo contato com a língua de maneira leve e respeitosa. A segunda etapa foi voltada à valorização da cultura venezuelana. As crianças participaram da construção coletiva da bandeira da Venezuela utilizando diferentes materiais e técnicas artísticas, compreendendo o significado de suas cores e símbolos. Também conheceram músicas, ritmos e brincadeiras tradicionais venezuelanas, percebendo semelhanças e diferenças entre as culturas brasileira e venezuelana. Essas experiências possibilitaram que os estudantes enxergassem a cultura venezuelana para além dos estereótipos frequentemente associados à imigração. Na terceira etapa, o projeto aprofundou a reflexão sobre identidade, pertencimento e vivências das famílias imigrantes. Foi realizada uma oficina culinária de arepas, alimento típico venezuelano, permitindo que as crianças compreendessem a alimentação como elemento cultural. Além disso, uma família venezuelana da comunidade participou enviando um vídeo relatando os motivos que levaram à vinda para o Brasil, os desafios enfrentados e como se sentem vivendo no país. Esse momento teve grande impacto nas turmas, pois aproximou as crianças de histórias reais, despertando empatia e compreensão sobre a realidade migratória. A quarta etapa teve como foco o acolhimento e a conscientização social. Foram realizadas rodas de conversa sobre respeito, empatia e convivência, retomando os aprendizados construídos ao longo do projeto. As crianças produziram cartas de acolhimento destinadas a famílias imigrantes, com mensagens em português e espanhol, valorizando atitudes de gentileza e pertencimento. Essa ação aconteceu em parceria com a Secretaria de Assistência Social, fortalecendo a articulação intersetorial entre escola, comunidade e rede de apoio. Durante a entrega das cartas, a equipe da Assistência Social acolheu a iniciativa com entusiasmo e reforçou que o município continua recebendo muitas famílias venezuelanas. Destacaram ainda que atitudes de empatia e acolhimento, como as desenvolvidas pelas crianças, tornam esse momento difícil mais humano, acolhedor e cheio de esperança para as famílias que chegam. Como culminância, foi realizado um quiz cultural e reflexivo sobre os conteúdos trabalhados, além da construção de um mural coletivo com desenhos e registros das aprendizagens mais significativas. Durante todo o processo, a avaliação aconteceu de forma contínua, observando participação, envolvimento, mudanças de postura e atitudes de respeito nas interações cotidianas. A situação-problema foi enfrentada principalmente por meio da informação, da convivência e da humanização das experiências. Ao conhecer a cultura venezuelana de maneira positiva e significativa, as crianças passaram a compreender melhor as diferenças culturais e os motivos que levam famílias a migrarem. O projeto fortaleceu atitudes de empatia, respeito e acolhimento, ampliando o olhar das crianças sobre a diversidade cultural presente na comunidade. A experiência evidenciou o papel da escola na formação de valores e na construção de uma sociedade mais consciente, inclusiva e livre de preconceitos.

Resultados principais

1. Fortalecimento de atitudes de empatia, respeito e acolhimento entre as crianças. 2. Ampliação do conhecimento sobre imigração e cultura venezuelana de forma humanizada. 3. Redução de falas estereotipadas e maior valorização das diferenças culturais. 4. Maior sentimento de pertencimento e integração das crianças venezuelanas no ambiente escolar. 5. Fortalecimento da articulação entre escola e Secretaria de Assistência Social nas ações de acolhimento.

Engajamento da comunidade e diálogo

Sim. A iniciativa contou com participação da comunidade por meio da colaboração de uma família venezuelana, que compartilhou sua experiência migratória em vídeo, aproximando as crianças de histórias reais e promovendo reflexões sobre acolhimento e empatia. Também houve diálogo com a Secretaria de Assistência Social, parceira na ação de entrega das cartas produzidas pelas crianças.

Medição, registro e avaliação

Os resultados foram acompanhados por meio de observação contínua e avaliação processual, considerando a participação, o envolvimento e as interações das crianças ao longo das atividades. Foram registrados avanços nas rodas de conversa, nas produções coletivas, nas falas espontâneas e nas atitudes cotidianas relacionadas ao respeito, à empatia e ao acolhimento. Também foram utilizados como evidências os registros visuais das atividades, fotos e vídeos das vivências, o quiz de culminância e os relatos construídos pelas crianças durante as reflexões propostas. A devolutiva da Secretaria de Assistência Social e o retorno positivo da comunidade escolar também contribuíram para validar qualitativamente os impactos da prática, evidenciando mudanças de percepção e ampliação do olhar das crianças sobre diversidade cultural, imigração e convivência respeitosa.

Desafios de implementação

Um dos principais desafios foi abordar um tema complexo como a imigração de maneira sensível, significativa e adequada à faixa etária das crianças do 1º ano. Também houve o desafio de desconstruir estereótipos e ampliar a compreensão das crianças sobre diferenças culturais sem reforçar visões negativas relacionadas à vulnerabilidade social. Além disso, foi necessário planejar experiências práticas e acessíveis que aproximassem os estudantes da cultura venezuelana de forma respeitosa, humanizada e acolhedora.

Fatores de sucesso

O sucesso da iniciativa é atribuído ao planejamento pedagógico sensível e intencional, alinhado à realidade das crianças e ao contexto social da comunidade. A abordagem lúdica e interdisciplinar favoreceu a compreensão do tema de forma significativa, enquanto as rodas de conversa e vivências práticas fortaleceram a escuta e a participação ativa dos estudantes. A integração entre escola, família venezuelana convidada e Secretaria de Assistência Social também foi fundamental, ampliando o alcance das reflexões e promovendo uma aprendizagem mais humana, empática e transformadora.

Aprendizagem obtida

A experiência evidenciou a importância de abordar temas sociais desde a infância de forma sensível e contextualizada. Percebeu-se que vivências práticas e lúdicas favorecem a compreensão da imigração e fortalecem atitudes de empatia e respeito. Aprendeu-se que a escuta das crianças e a valorização de suas percepções são fundamentais para ressignificar preconceitos. O projeto também reforçou a relevância da articulação com a rede de apoio para ampliar o impacto das ações educativas.

Legislação envolvida

A prática está fundamentada na Constituição Federal de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990), na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) e na Lei nº 10.639/2003 e Lei nº 11.645/2008, que tratam da Educação das Relações Étnico-Raciais e da valorização da diversidade cultural. Também dialoga com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica e da Educação Infantil, promovendo respeito, inclusão e cidadania.

Prêmios já recebidos

Nenhum.

Mais informações

Jessica Ribeiro Henz

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