Sistematização do acompanhamento pré-natal na Atenção Primária: relato de experiência em Iomerê/SC
Resumo
Categoria temática
Públicos priorizados
Participantes
- Coordenador da boa prática
- MARCILI ROSANA KLEIN
- Email do coordenador
- [email ocultado]
- Telefone do coordenador
- [telefone ocultado]
- Órgãos da administração direta/indireta envolvidos
- Secretaria Municipal de Saúde
- Equipe responsável
-
MARCILI ROSANA KLEINENFERMEIRAESTRATEGIA SAÚDE DA FAMILIA
Detalhamento
Situação problema, oportunidade ou demanda
A prática surgiu diante da ausência de um sistema organizado para identificação e acompanhamento das gestantes, com informações fragmentadas nos prontuários, dificultando o monitoramento e a tomada de decisão. Somaram-se a isso os baixos indicadores do Previne Brasil em 2024 e a ocorrência de óbitos fetais em 2025, evidenciando fragilidades no pré-natal e a necessidade de qualificar e reorganizar o cuidado ofertado.
Estrutura necessária para implementação
Para implementação, foi necessária uma planilha em Excel compartilhada em drive, acessível à equipe multiprofissional (enfermagem, odontologia, nutrição, vacinação e ACS). Utilizaram-se computadores com internet na UBS, definição de fluxo de registros e atualização contínua das informações. Também foi essencial o engajamento da equipe, organização dos dados das gestantes e padronização dos campos para monitoramento sistemático do pré-natal.
Objetivos da boa prática
Sistematizar e qualificar o acompanhamento pré-natal na Atenção Primária, garantindo a identificação e o monitoramento contínuo das gestantes. Organizar as informações de forma acessível e integrada, apoiar a tomada de decisão da equipe, assegurar o cumprimento do calendário de consultas, exames e vacinas, promover o cuidado interdisciplinar e contribuir para a melhoria dos indicadores de saúde materno-infantil.
Estratégia de implementação
Foi desenvolvida uma planilha no Excel compartilhada em drive, alimentada pela equipe multiprofissional (enfermagem, odontologia, nutrição, vacinação e ACS). Foram definidos campos padronizados para registro das gestantes e suas ações. A planilha passou a ser consultada no acolhimento e atualizada continuamente, permitindo identificar necessidades, programar intervenções, monitorar o pré-natal e organizar o fluxo de cuidado de forma integrada.
Atividades implementadas
Foram implantadas ações de cadastro e atualização das gestantes em planilha compartilhada, registro de DUM, DPP e risco gestacional, além do controle de consultas, exames, vacinas e atendimentos multiprofissionais. Realizou-se monitoramento contínuo no acolhimento, busca ativa de faltosas, programação de intervenções e acompanhamento do calendário pré-natal. Também houve integração entre enfermagem, odontologia, nutrição, vacinação e ACS.
Início de execução
01/10/2024
Recursos humanos e financeiros envolvidos
Os recursos humanos envolveram enfermeiras, técnicos de enfermagem, Agentes Comunitários de Saúde, dentista, nutricionista e equipe de vacinação. Não houve custos financeiros adicionais relevantes, utilizando-se estrutura já existente na UBS, computadores e acesso à internet. A principal necessidade foi o engajamento da equipe multiprofissional e a organização do processo de trabalho para manutenção e atualização contínua da ferramenta.
Participação social
A participação social ocorreu de forma indireta, por meio das gestantes e suas famílias, que passaram a ser mais acompanhadas e orientadas durante o pré-natal. Os ACS tiveram papel fundamental na articulação com a comunidade, identificando gestantes e fortalecendo o vínculo com a UBS. O maior acesso às informações e a busca ativa favoreceram o envolvimento das usuárias no cuidado e o acompanhamento mais próximo do território.
Resultados
Inovação da prática
A inovação da prática está na criação de uma ferramenta simples, de baixo custo e alta aplicabilidade, utilizando planilha compartilhada em tempo real para integrar informações do pré-natal. O diferencial é a visualização rápida do cuidado, a atualização multiprofissional contínua e o uso de cores para sinalização de prioridades, permitindo monitoramento ativo das gestantes e apoio à tomada de decisão na APS.
Número aproximado de pessoas impactadas
20 a 40
Benefícios qualitativos aos grupos priorizados
A iniciativa impactou aproximadamente todas as gestantes acompanhadas pela Atenção Primária do município de Iomerê/SC no período de implementação, estimadas em cerca de 20 a 40 gestantes por ciclo gestacional, além de suas famílias. Também envolveu diretamente toda a equipe multiprofissional da UBS (enfermagem, ACS, odontologia, nutrição e vacinação), ampliando o alcance do cuidado organizado e integrado no território.
Etapas de implementação e resolução da situação-problema
As etapas incluíram diagnóstico da situação com identificação da ausência de controle das gestantes e fragilidades no pré-natal, elaboração da planilha em Excel, definição dos campos e fluxos de registro, compartilhamento em drive e capacitação da equipe. Em seguida, houve implantação no acolhimento, atualização contínua e uso diário. A situação foi resolvida com a organização dos dados, monitoramento ativo e integração da equipe multiprofissional, em média 6 meses para efetivação.
Resultados principais
1) Melhoria na organização do pré-natal e integração da equipe multiprofissional - consulta odontologica para todas as gestantes; 2) Aumento da adesão às consultas, exames e vacinas - realização de teste rápido em todas as gestantes; 3) Cumprimento mais adequado do calendário pré-natal, com consultas em intervalo adequado; 4) Todas as gestantes com risco estratificado, com apoio à tomada de decisão no cuidado.
Engajamento da comunidade e diálogo
Houve engajamento indireto da comunidade, principalmente por meio dos Agentes Comunitários de Saúde, que atuaram na identificação e acompanhamento das gestantes no território. As gestantes foram informadas sobre seus acompanhamentos durante as consultas e ações na UBS. O diálogo ocorreu de forma contínua no acolhimento, visitas domiciliares e orientações individuais, fortalecendo o vínculo entre equipe e usuárias e garantindo maior participação no cuidado.
Medição, registro e avaliação
Os resultados foram avaliados por meio do acompanhamento contínuo da planilha em Excel, que permitiu monitorar em tempo real o número de gestantes, consultas realizadas, exames, vacinas e estratificação de risco. Também foram observados indicadores assistenciais, como maior adesão ao pré-natal na rede pública e cumprimento do calendário. Após a implementação, não houve novas ocorrências de óbitos fetais e houve adequação do número de consultas de pré-natal e puerpério conforme o Caderno de Atenção Básica nº 32, bem como a realização de testes rápidos, consulta odontológica e avaliação nutricional por todas as gestantes.
Desafios de implementação
Os principais desafios foram a ausência inicial de uma base de dados estruturada das gestantes, a necessidade de mudança no processo de trabalho da equipe e a adaptação ao uso da planilha compartilhada em tempo real. Também houve dificuldade inicial de padronização dos registros e manutenção da atualização contínua por todos os profissionais, exigindo engajamento da equipe e reorganização do fluxo de trabalho na UBS.
Fatores de sucesso
O sucesso da iniciativa é atribuído ao engajamento da equipe multiprofissional, à organização do processo de trabalho e à utilização de uma ferramenta simples, acessível e de fácil atualização. A integração das informações em tempo real, aliada à atuação ativa da enfermagem na coordenação do cuidado e ao apoio dos ACS no território, favoreceu o monitoramento contínuo e a tomada de decisão qualificada no acompanhamento pré-natal.
Aprendizagem obtida
A principal aprendizagem foi a importância da organização sistematizada das informações para qualificar o cuidado no pré-natal. A experiência evidenciou que ferramentas simples podem melhorar significativamente a gestão do cuidado, fortalecer o trabalho interdisciplinar e apoiar a tomada de decisão na APS. Também reforçou o papel do enfermeiro na coordenação do cuidado e a necessidade de monitoramento contínuo para garantir segurança e qualidade assistencial.
Legislação envolvida
A iniciativa está alinhada às diretrizes do Ministério da Saúde para o pré-natal na Atenção Primária à Saúde, especialmente o Caderno de Atenção Básica nº 32, que orienta o acompanhamento sistemático da gestante. Também se fundamenta na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que estabelece a ESF como ordenadora do cuidado, e nas recomendações do Programa Previne Brasil e atualmente Saúde Brtasil 360, que define indicadores de qualidade da atenção pré-natal.
Prêmios já recebidos
A prática foi selecionada para apresentação na categoria poster no 10° Congresso das Secretarias Municipais de Saúde de Santa Catarina em 2026, ocorrido na cidade de Chapecó nos dias 11-13/03/2026.
Mais informações
Enfermeira Marcili Rosana Klein
Links e arquivos
- https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/prenatal
- Caderno de Atenção Básica nº 32 (Atenção ao Pré-natal de Baixo Risco)
- https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_pre_natal_baixo_risco.pdf
- Atenção Primária à Saúde – e-Gestor AB (Previne Brasil e indicadores)
- https://egestorab.saude.gov.br/
- Manual de Gestação de Alto Risco (MS)
- https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_gestacao_alto_risco.pdf
- Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) – Materiais e vídeos
- https://bvsms.saude.gov.br/