Monitoramento preventivo de escorpiões. Evitando óbitos através da vigilância!
Resumo
Categoria temática
Vídeo de apresentação
Públicos priorizados
Participantes
- Coordenador da boa prática
- Tailise Cristina Kopp
- Email do coordenador
- [email ocultado]
- Telefone do coordenador
- [telefone ocultado]
- Órgãos da administração direta/indireta envolvidos
- Secretaria Municipal de Saúde, Vigilância Epidemiológica, Setor de Controle de Endemias.
- Equipe responsável
-
Ana Paula Bertotti Neres MartiniACEControle de EndemiasCleusa MartiniACEControle de EndemiasJackson Franco GaspariniACEControle de EndemiasPaulo Henrique CrecencioACEControle de EndemiasBarbara Brollo PiculiEnfermeiraVigilância Epidemiológica
Detalhamento
Situação problema, oportunidade ou demanda
Aumento de acidentes com picada de escorpião no município e grande incidência de escorpiões em áreas residenciais e comerciais. Temos também a confirmação do "escorpião amarelo" (Tityus serrulatus) a cerca de 80 km de Joaçaba e sabemos que a chegada de uma única fêmea (através de entregas ou mesmo mudanças) pode gerar rápida infestação, sendo que T. serrulatus faz partenogênese e tem importância médica, podendo causar óbitos (principalmente infantis).
Estrutura necessária para implementação
Aquisição de lanternas de luz ultravioleta, pinças longas, luvas de couro e botinas para a equipe de Controle de Endemias, sendo 5 Agentes de Combate às Endemias (ACE's) e voluntários da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC)..
Objetivos da boa prática
Controlar a infestação de escorpiões em perímetro urbano, fazer um levantamento das espécies presentes no município, detectar precocemente Tityus serrulatus, e promover educação ambiental para a população.
Estratégia de implementação
Após capacitação pelo Ministério da Saúde e Vigilância Epidemiológica Estadual, a coordenadora do setor inseriu a atividade de Busca Ativa Noturna de escorpiões, já que estes tem hábito noturno. As buscas são realizadas uma vez por semana, desde o início de 2025, em áreas onde há notificação de acidente ou relato de aparecimento aos ACE's, ACS's e demais profissionais de saúde.
Atividades implementadas
Após eleger a área de trabalho, as buscas iniciam entre 18:30 e 19:00 horas (a depender da época do ano, sendo mais cedo no inverno, quando escurece mais cedo). Os ACE's inspecionam terrenos baldios, residências de moradores que aceitam as visitas ou locais previamente agendados. São verificadas rachaduras de muros, pedras, pilhas de lenha, tijolos, telhas, entulhos, gramados, áreas comuns, etc. a fim de capturar escorpiões. Em alguns imóveis o número de escorpiões ultrapassa 50 indivíduos.
Início de execução
14/01/2025
Recursos humanos e financeiros envolvidos
A atividade é realizada pelos servidores do setor de Controle de Endemias e por alunos voluntários dos cursos de Ciências Biológicas e Farmácia da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Os gastos da atividade incluem pagamento de hora extra para os servidores e aquisição dos materiais para execução. O recurso utilizado é da própria Secretaria Municipal de Saúde. (No início da atividade alguns itens foram adquiridos com recursos particulares dos servidores, como lanternas e botinas).
Participação social
Ao longo de 2025 a população tem recebido a equipe com muito entusiasmo e pedido inclusive para aumentar a frequência das visitas. Alguns acadêmicos da universidade se tornaram voluntários permanentes e vereadores reconheceram a importância da atividade.
Resultados
Inovação da prática
Até 2024 não se tinha certeza das espécies de escorpião existentes no município. Muitos eram os relatos de aparecimento destes artrópodes, mas não havia um mapeamento de ruas ou acesso à informação dos acidentes. Após a atividade, está sendo possível mapear o município de acordo com o nível de infestação e cruzar o endereço com as notificações de acidentes com escorpião.
Número aproximado de pessoas impactadas
Mais de 3.000 pessoas
Benefícios qualitativos aos grupos priorizados
Em ruas com alto índice de infestação, foi observado declínio nas coletas de escorpião ao longo dos meses, o que demonstra o início de um controle da área. A educação ambiental vem sendo amplamente divulgada, quanto à importância de preservar os predadores naturais dos escorpiões, bem como, de manter a higiene e organização dos imóveis. Além disso temos a certeza da espécie presente através do resultado oficial de laboratório e diversos moradores receberam instruções sobre os cuidados que devem ter para evitar o abrigo dos escorpiões e como agir em caso de acidente.
Etapas de implementação e resolução da situação-problema
A primeira etapa foi a capacitação da coordenação, que ocorreu no município de Itajaí em outubro de 2024. No mesmo mês os ACE's realizaram coleta de informações com os moradores e demais profissionais de saúde sobre os endereços com aparecimento de escorpiões. Posteriormente foram adquiridos materiais básicos para a coleta (em dezembro de 2024). No mesmo período foi feita reunião com a enfermeira responsável pela Vigilância Epidemiológica e definido o compartilhamento dos endereços de acidentes com picada de escorpiões em uma planilha. Em janeiro de 2025 os ACE's foram capacitados para a execução da atividade. Já na primeira busca ativa de escorpiões foram anotados os dados para envio das amostras ao laboratório de referência (Laboratório de Entomologia - DIVE em Florianópolis). Por fim, criamos a planilha com os dados coletados onde conseguimos visualizar a quantidade de escorpiões e a espécie por localidade.
Resultados principais
* 3.069 escorpiões capturados em 17 meses . * Resultado de duas espécies encontradas, sendo predominante Tityus costatus e uma única amostra de Tityus confluens. * A noite com maior número de escorpiões até o momento foi dia 07/05/2026, quando capturamos 171 exemplares em apenas 6 imóveis. * Por enquanto nenhum Tityus serrulatus foi encontrado no município. * 28 acidentes por picada de escorpião notificados em 2025 e 10 em 2026 (até 20/05).
Engajamento da comunidade e diálogo
A atividade vem sendo divulgada e bem recebida pela população. Os meios de comunicação da Prefeitura auxiliam na divulgação e no engajamento, principalmente no Instagram. A comunidade expressa gratidão e interesse pela atividade.
Medição, registro e avaliação
O setor de Controle de Endemias alimenta uma planilha com os dados ambientais das buscas ativas de escorpiões. Informações como endereço, data, temperatura, condição do ar (seco ou úmido), fase lunar, característica do imóvel (terreno baldio, residência, comércio, imóvel público, etc), horário da coleta, quantidade coletada de adultos e filhotes, número da amostra, quantidade de imóveis visitados por noite, entre outras. Já a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, alimenta uma planilha compartilhada com nosso setor com os endereços onde estão ocorrendo os acidentes com picada de escorpião e suas respectivas datas. Através destes dados conseguimos identificar o grau de infestação por localidade.
Desafios de implementação
A aquisição dos materiais foi a parte mais difícil, pois a maioria dos itens não constava nas licitações. Foram necessárias inclusões nas novas licitações, o que demandou bastante tempo.
Fatores de sucesso
Comprometimento da equipe.
Aprendizagem obtida
Ao longo dos meses observamos que algumas informações deveriam ser acrescentadas à planilha para maior detalhamento dos dados. Estes ajustes seguem ocorrendo para posterior escrita de um artigo científico pelas duas biólogas do setor. (Tailise Cristina Kopp e Ana Paula Bertotti Neres Martini).
Legislação envolvida
Não informado
Prêmios já recebidos
O trabalho foi selecionado para exposição no 10º Congresso COSEMS/SC 2026 que ocorreu em Chapecó em 11 de março de 2026 na 8ª Mostra Catarinense “Brasil, aqui tem SUS” – Modalidade Banner, intitulado 'MONITORAMENTO DE ESCORPIÕES PARA DETECÇÃO PRECOCE DE ESPÉCIES DE INTERESSE À SAÚDE EM JOAÇABA'
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Tailise Cristina Kopp