Mais gestão, menos custo: Como a escuta ativa reorganiza a Atenção Básica.
Resumo
Categoria temática
Públicos priorizados
Participantes
- Coordenador da boa prática
- Karla Vanessa Simas
- Email do coordenador
- [email ocultado]
- Telefone do coordenador
- [telefone ocultado]
- Órgãos da administração direta/indireta envolvidos
- Fundo Municipal de Saúde, câmara de vereadores e Prefeito.
- Equipe responsável
-
Karla Vanessa SimasSecretario de saúdeFundo Municipal de saúdeCamila ToaldoDiretor de SaúdeFundo Municipal de saúdeJeferson MinellaSuper IntendenteFundo Municipal de saúde
Detalhamento
Situação problema, oportunidade ou demanda
A Atenção Básica em Joaçaba/SC enfrentava falhas na comunicação com a população, baixa transparência e distanciamento entre gestão, equipes e usuários. Esse cenário gerava ruídos, decisões pouco alinhadas às demandas reais e uso ineficiente dos serviços, com sobrecarga desnecessária de outros níveis de atenção. Diante disso, emergiu a necessidade de uma estratégia estruturada de escuta ativa para aproximar a gestão da realidade local e qualificar a tomada de decisão.
Estrutura necessária para implementação
A implementação utilizou estrutura já existente da Secretaria Municipal de Saúde, sem necessidade de novos investimentos. Envolveu equipes da Atenção Básica (coordenação, ESF e apoio administrativo), uso de espaços comunitários e unidades de saúde para os encontros, além de recursos simples como projetor, computador e materiais impressos. O registro e monitoramento das demandas foram realizados por planilhas e sistemas institucionais, garantindo organização, acompanhamento e devolutiva à gestão.
Objetivos da boa prática
Implementar um modelo estruturado de escuta ativa na Atenção Básica, visando ampliar a transparência da gestão, fortalecer o vínculo com a população e qualificar a tomada de decisão com base em demandas reais. A iniciativa buscou reduzir ruídos na comunicação, melhorar o uso dos serviços de saúde, identificar prioridades locais e promover maior participação social, contribuindo para uma gestão mais eficiente, resolutiva e alinhada às necessidades da comunidade.
Estratégia de implementação
A estratégia foi organizada em ciclos por microárea da ESF, com planejamento pelas coordenações da Atenção Básica. Foram realizados encontros comunitários com apresentação de dados, serviços e fluxos, seguidos de escuta estruturada das demandas. As informações foram registradas, analisadas por prioridade e encaminhadas à gestão e ao Legislativo, com devolutivas sistemáticas. O monitoramento ocorreu por meio do acompanhamento das demandas e avaliação da participação.
Atividades implementadas
Planejamento por microárea da ESF; mobilização e divulgação comunitária; realização de encontros presenciais com apresentação de indicadores, serviços e fluxos; escuta estruturada das demandas da população; registro e sistematização das informações; análise e priorização das necessidades; encaminhamento à gestão e ao Legislativo; devolutivas institucionais; monitoramento dos encaminhamentos; e, em 2026, implementação do Bingo da Saúde como estratégia de educação e engajamento.
Início de execução
01/01/2025
Recursos humanos e financeiros envolvidos
A prática foi executada por equipes da Atenção Básica (coordenação, profissionais da ESF e apoio administrativo), sem necessidade de novas contratações. Os custos foram mínimos, restritos a materiais de divulgação, impressão e apoio logístico, utilizando recursos próprios da Secretaria Municipal de Saúde. Foram aproveitados espaços públicos e estrutura já existente, caracterizando uma iniciativa de baixo custo, sustentável e baseada na otimização dos recursos disponíveis.
Participação social
A participação social ocorreu por meio de encontros comunitários abertos, com envolvimento direto de usuários da Atenção Básica, lideranças locais e representantes do Conselho Municipal de Saúde. A população teve espaço estruturado para manifestação de demandas, sugestões e avaliações. As contribuições foram registradas, analisadas e encaminhadas à gestão e ao Legislativo, com devolutivas periódicas, fortalecendo o controle social, a transparência e o vínculo entre comunidade e serviços de saúde
Resultados
Inovação da prática
A inovação está na estruturação da escuta ativa como modelo sistemático de governança, integrando participação social, análise de dados e devolutivas institucionais em ciclos contínuos. Diferente de ações pontuais, organiza a escuta como ferramenta estratégica de decisão, com baixo custo e alta eficiência. Em 2026, avança com o “Bingo da Saúde”, incorporando educação em saúde de forma lúdica e interativa, ampliando o engajamento e a efetividade das ações.
Número aproximado de pessoas impactadas
1000
Benefícios qualitativos aos grupos priorizados
A iniciativa beneficiou qualitativamente os usuários da Atenção Básica ao ampliar o acesso à informação, fortalecer o vínculo com as equipes de saúde e garantir espaço ativo de participação. A escuta estruturada permitiu que demandas reais fossem identificadas e consideradas na tomada de decisão, promovendo maior alinhamento entre serviços ofertados e necessidades da população. Houve melhora na compreensão sobre o funcionamento do SUS, redução de ruídos na comunicação e maior confiança na gestão. Para as equipes, contribuiu para organização do cuidado e priorização mais assertiva das ações. A incorporação do “Bingo da Saúde” ampliou o engajamento, facilitou o entendimento de temas relevantes e tornou a educação em saúde mais acessível, especialmente para públicos com maior dificuldade de acesso à informação.
Etapas de implementação e resolução da situação-problema
A iniciativa surgiu a partir de um problema claro: a Atenção Básica operava com falhas na comunicação com a população, ausência de escuta estruturada e decisões pouco alinhadas às demandas reais do território. O resultado era ruído, Ações não assertivas e uso ineficiente dos serviços. Diante disso, estruturamos a escuta ativa como estratégia de gestão. O primeiro passo foi o diagnóstico do cenário e definição de um modelo simples, viável e replicável, organizado por microáreas da Estratégia Saúde da Família. Na prática, implantamos encontros comunitários periódicos, com três momentos-chave: apresentação objetiva dos serviços e indicadores, escuta qualificada da população e registro sistemático das demandas. Essas informações passaram a ser analisadas por prioridade e encaminhadas diretamente à gestão e ao Legislativo, conectando a realidade do território com a tomada de decisão. O diferencial está na devolutiva e ações de programas assertivos, voltados a reclamações pessoal: a população não apenas fala, ela recebe retorno. Isso transformou a escuta em confiança e participação real. Paralelamente, estruturamos o monitoramento contínuo, acompanhando demandas, encaminhamentos e participação comunitária. Como evolução, em 2026 incorporamos o “Bingo da Saúde”, ampliando o modelo com uma estratégia lúdica e interativa que leva informações sobre saúde, funcionamento da Secretaria e termos utilizados no sistema que muitas vezes não são compreendidos pela população. Isso melhora o entendimento, reduz ruídos e aumenta o uso adequado dos serviços. O problema foi resolvido não com mais recursos, mas com organização. Criamos um fluxo estruturado de comunicação entre população e gestão, qualificando decisões e alinhando as ações às necessidades reais. O resultado é um modelo de baixo custo, alto impacto e altamente replicável, que fortalece a Atenção Básica e reposiciona a escuta como ferramenta estratégica de gestão pública.
Resultados principais
Aumento da transparência institucional, evidenciado pela ampliação do acesso da população às informações sobre serviços, fluxos e indicadores da Atenção Básica. Elevação da participação social qualificada, com maior adesão aos encontros comunitários e ampliação do registro de demandas territoriais. Qualificação da tomada de decisão, com incorporação sistemática das demandas da população no planejamento e priorização das ações de saúde. Melhoria na adequação do uso dos serviços, com redução de ruídos comunicacionais e maior compreensão dos fluxos assistenciais do SUS, refletida na diminuição dos registros de ouvidoria entre 2025 e 2026. Ampliação da efetividade das ações de educação em saúde, especialmente com o “Bingo da Saúde”, promovendo maior compreensão de temas técnicos e do funcionamento da Secretaria, com impacto no engajamento da população.
Engajamento da comunidade e diálogo
Sim. A iniciativa promoveu engajamento ativo da comunidade por meio de encontros territoriais abertos, estruturados como espaços de escuta qualificada e participação social. Usuários, lideranças locais e representantes do Conselho Municipal de Saúde contribuíram com demandas, sugestões e avaliações, fortalecendo o controle social e a corresponsabilização no cuidado. As demandas sistematizadas foram apresentadas em momentos institucionais com a Câmara de Vereadores e o Executivo municipal, qualificando o diálogo intersetorial e tornando as decisões mais assertivas. Os resultados foram comunicados por devolutivas nos encontros, com apresentação das ações realizadas e encaminhamentos. Esse processo consolidou um canal permanente de diálogo, ampliando transparência e legitimidade das decisões públicas.
Medição, registro e avaliação
Os resultados foram medidos por meio de indicadores qualitativos e quantitativos, incluindo nível de participação comunitária, volume e tipologia das demandas registradas, taxa de encaminhamentos realizados e resolutividade das ações. Também foi considerada a redução de registros na ouvidoria entre 2025 e 2026 como indicador indireto de melhoria na comunicação e no uso dos serviços. As informações foram registradas em planilhas e sistemas institucionais, permitindo rastreabilidade e monitoramento contínuo. A avaliação ocorreu de forma periódica, com análise comparativa entre ciclos, apresentação de resultados nos encontros comunitários e discussão em instâncias de gestão, garantindo ajuste contínuo e qualificação da tomada de decisão.
Desafios de implementação
Os principais desafios envolveram a mobilização inicial da população em 2025, marcada por baixa adesão e limitada cultura de participação social, além da desconfiança quanto à efetividade da escuta. Também houve necessidade de engajar as equipes na reorganização de agendas e na incorporação de rotinas de registro e devolutiva das demandas. Em 2026, para superar essas barreiras, foi implementado o “Bingo da Saúde” com brindes, estratégia que ampliou o interesse e a participação comunitária, tornando os encontros mais atrativos e acessíveis. Outro desafio foi estruturar o fluxo de sistematização e análise das demandas, garantindo que se convertessem em decisões. A articulação com gestão e instâncias políticas também exigiu alinhamento institucional, sendo superada com comunicação clara e devolutivas consistentes.
Fatores de sucesso
O sucesso da iniciativa está na combinação de organização, simplicidade e foco na realidade do território. A estruturação da escuta ativa como processo contínuo, com registro, análise e devolutiva das demandas, garantiu que a participação social se convertesse em decisões concretas. A utilização de recursos já existentes, sem necessidade de novos investimentos, assegurou viabilidade e sustentabilidade. Destaca-se ainda a integração entre comunidade, equipes de saúde, gestão e instâncias políticas, fortalecendo a governança e a legitimidade das ações. A adaptação da estratégia ao contexto local, especialmente com a incorporação do “Bingo da Saúde”, ampliou o engajamento e facilitou a compreensão da população, contribuindo para maior adesão e efetividade das ações.
Aprendizagem obtida
A iniciativa evidenciou que escuta sem devolutiva não gera engajamento. Em 2025, a baixa adesão levou ao ajuste da estratégia, incorporando em 2026 o “Bingo da Saúde”, que ampliou participação e compreensão da população. Aprendeu-se que linguagem acessível, interação e retorno sistemático são essenciais. O processo também gerou conhecimento sobre priorização de demandas e tomada de decisão baseada na realidade local.
Legislação envolvida
A iniciativa está alinhada à Constituição Federal de 1988 (art. 196 a 200) e às Leis nº 8.080/1990 e nº 8.142/1990, que orientam a organização do SUS e a participação social. Também dialoga com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e diretrizes de transparência e controle social. Destaca-se a articulação com o Legislativo municipal, fortalecendo a governança e a integração entre gestão, sociedade e poder público.
Prêmios já recebidos
I congresso internacional de saúde publica
Mais informações
Karla Vanessa Simas e Camila Toaldo