Boas Práticas
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Entidade: PREFEITURA DE CORDILHEIRA ALTA Município: CORDILHEIRA ALTA UF: SC

Inovação em Saúde Pública Local: Integração Ensino–Serviço–Comunidade no Fortalecimento da Atenção Primária à Saúde

Chamamento: CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 001/2026 - “MOSTRA DE BOAS PRÁTICAS MUNICIPAIS” Baixar chamamento (PDF)
ODS 3 ODS 10

Resumo

Cordilheira Alta/SC, com cerca de 4.800 habitantes, enfrenta envelhecimento populacional e aumento das condições crônicas, pressionando a APS e reduzindo a capacidade de cuidado programado. Em resposta, o município estruturou parceria com a Unochapecó para apoio à gestão, reorganização dos fluxos assistenciais, implantação da Central de Livre Demanda, educação permanente e ações extensionistas. A iniciativa fortaleceu a longitudinalidade do cuidado, ampliou o acesso e qualificou a APS.

Categoria temática

Saúde

Públicos priorizados

Cidadãos/Comunidade em geral

Participantes

Coordenador da boa prática
KAREN CRISTINA KADES ANDRIGUE
Email do coordenador
[email ocultado]
Telefone do coordenador
[telefone ocultado]
Órgãos da administração direta/indireta envolvidos
Secretária Municipal de Saúde
Equipe responsável
Karen Cristina Kades Andrigue
Docente
Unochapecó
Rafaela Regina Pacifico Dezen
Assessora
Unochapecó
Jocimar Vazocha Wescinski
Gerente de negócios e prestação de serviços
Unochapecó
Juliana Bordignon Tozzo
Secretaria Municipal de Saúde
Cordilheira Alta / Secretaria Municipal de Saúde
Felipe Leonardo Bessegato Fernandes
Médico Residente de MFC
Unochapecó
Manuela Farias Flores
Médica
Cordilheira Alta / Secretaria Municipal de Saúde
Mayra Zancanaro
Coordenadora do Curso de Medicina
Unochapecó

Detalhamento

Situação problema, oportunidade ou demanda

O aumento das condições crônicas associado ao envelhecimento populacional, elevada demanda espontânea e limitação da capacidade assistencial da APS. As agendas das equipes estavam sobrecarregadas por atendimentos agudos, dificultando consultas programadas, ações preventivas e acompanhamento longitudinal. A necessidade de reorganizar fluxos assistenciais, ampliar o acesso oportuno e qualificar os processos de trabalho motivou a parceria entre gestão municipal e universidade.

Estrutura necessária para implementação

A implementação exigiu articulação entre gestão municipal, APS e a universidade, com utilização das Unidades Básicas de Saúde, Central de Livre Demanda, prontuário eletrônico, protocolos assistenciais e espaços escolares. Envolveu equipes multiprofissionais, docentes e estudantes de Medicina. Foram necessários consultórios, equipamentos para avaliação clínica, acesso a exames laboratoriais, apoio institucional à gestão, educação permanente das equipes e organização dos fluxos assistenciais.

Objetivos da boa prática

Fortalecer a Atenção Primária à Saúde por meio da reorganização dos fluxos assistenciais, ampliação do acesso oportuno e qualificação do acompanhamento longitudinal das condições crônicas. A iniciativa buscou reduzir a sobrecarga das equipes com demanda espontânea, implantar a Central de Livre Demanda, fortalecer ações preventivas e de promoção da saúde, qualificar os processos de trabalho e integrar ensino, serviço e comunidade na formação em saúde orientada às necessidades do SUS.

Estratégia de implementação

A prática foi estruturada por meio de parceria entre gestão municipal e Unochapecó, iniciando com diagnóstico situacional da APS e análise dos fluxos assistenciais. Foram reorganizadas agendas, implantada a Central de Livre Demanda e instituídos protocolos assistenciais e espaços de educação permanente. A universidade passou a apoiar tecnicamente a gestão e integrar estudantes de Medicina em ações supervisionadas na APS e no Programa Saúde na Escola, articulando assistência, formação e promoção

Atividades implementadas

Implantação da Central de Livre Demanda para atendimento ambulatorial de casos agudos e intercorrências clínicas, reduzindo a sobrecarga das equipes de ESF e ampliando a capacidade da APS para cuidado programado; reorganização dos fluxos assistenciais e agendas; apoio técnico à gestão; implantação de protocolos; educação permanente; qualificação do acompanhamento de hipertensão e diabetes; ações extensionistas; atividades do PSE; educação em saúde; avaliação clínica supervisionada e rastreamento

Início de execução

26/05/2025

Recursos humanos e financeiros envolvidos

A prática envolveu equipes da Estratégia Saúde da Família, gestão municipal, docentes e estudantes de Medicina da Unochapecó. A universidade atuou por meio de assessoria técnica, supervisão docente, educação permanente e desenvolvimento das ações extensionistas. Os recursos financeiros foram provenientes de contrato administrativo custeado com recursos próprios do município, destinados ao apoio à gestão, implantação da Central de Livre Demanda e reorganização da APS. A universidade também realiz

Participação social

A iniciativa contou com a participação da comunidade por meio das ações desenvolvidas na APS e no ambiente escolar, envolvendo usuários, adolescentes, famílias e profissionais de saúde. O Conselho Municipal de Saúde acompanhou e apoiou a proposta no processo de reorganização da rede e fortalecimento da APS. As atividades extensionistas e educativas estimularam espaços de diálogo, escuta e integração entre gestão, serviços, universidade e população, fortalecendo o controle social e a participação

Resultados

Inovação da prática

A prática inovou ao integrar gestão municipal, universidade e APS em um modelo permanente de ensino–serviço–comunidade voltado às necessidades reais do território. A implantação da Central de Livre Demanda permitiu reorganizar o atendimento agudo sem comprometer o cuidado programado das equipes de ESF. Associada ao apoio técnico à gestão, educação permanente e inserção de estudantes na APS e no PSE, a iniciativa ampliou acesso, qualificação assistencial e capacidade operacional do município.

Número aproximado de pessoas impactadas

4800

Benefícios qualitativos aos grupos priorizados

A iniciativa beneficiou usuários com condições crônicas, população idosa, adolescentes, profissionais da APS e gestão municipal. A implantação da Central de Livre Demanda reduziu a sobrecarga das equipes de Estratégia Saúde da Família com atendimentos agudos, ampliando a capacidade da APS para consultas programadas, acompanhamento longitudinal e ações preventivas. Usuários com hipertensão arterial, diabetes mellitus passaram a ter maior acesso ao cuidado contínuo e organização das linhas de cuidado. No ambiente escolar, adolescentes participaram de atividades de educação em saúde sobre saúde mental, prevenção de IST, bullying, autocuidado e projeto de vida, fortalecendo vínculos, autonomia e promoção da saúde. Para os profissionais da APS, a iniciativa contribuiu para a qualificação dos processos de trabalho, implantação de protocolos e fortalecimento da educação permanente. A gestão municipal passou a contar com apoio técnico para reorganização assistencial e planejamento em saúde.

Etapas de implementação e resolução da situação-problema

A implementação da prática ocorreu de forma gradual e articulada entre gestão municipal, Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), equipes da Atenção Primária à Saúde (APS) e comunidade. Inicialmente, realizou-se diagnóstico situacional da rede municipal de saúde, identificando importante pressão assistencial sobre as equipes de Estratégia Saúde da Família decorrente do envelhecimento populacional, aumento das condições crônicas não transmissíveis e elevada demanda espontânea por atendimentos agudos. Observou-se que grande parte das agendas médicas e de enfermagem estava ocupada por intercorrências clínicas e procura imediata, reduzindo a capacidade da APS para acompanhamento longitudinal, consultas programadas e ações preventivas. A partir desse diagnóstico, estruturou-se parceria formal entre o município e a universidade comunitária, definindo estratégias integradas de apoio à gestão, reorganização assistencial e fortalecimento da APS. Como primeira etapa operacional, foram reorganizados os fluxos assistenciais e as agendas das equipes, diferenciando o cuidado programado do atendimento agudo. Nesse contexto, implantou-se a Central de Livre Demanda, destinada ao atendimento ambulatorial de casos agudos e intercorrências clínicas, permitindo reduzir a sobrecarga das equipes de ESF e ampliar a capacidade operacional da APS para o acompanhamento longitudinal das condições crônicas. Paralelamente, a universidade passou a desenvolver apoio técnico à gestão municipal, auxiliando na organização dos processos assistenciais, planejamento das ações, implantação de protocolos clínicos e administrativos e fortalecimento da integração entre os diferentes pontos da rede. Foram instituídos espaços sistemáticos de educação permanente para médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais da APS, abordando organização do processo de trabalho, manejo de condições crônicas, acolhimento, fluxos assistenciais e qualificação do cuidado. Outra etapa importante consistiu na integração ensino–serviço–comunidade por meio da inserção supervisionada de estudantes do curso de Medicina da Unochapecó nas ações da APS e do Programa Saúde na Escola (PSE). Os estudantes passaram a atuar em atividades de educação em saúde, acompanhamento clínico supervisionado de pessoas com Diabetes Mellitus, rastreamento do pé diabético, solicitação de hemoglobina glicada, avaliação clínica e desenvolvimento de ações preventivas no território. No ambiente escolar, foram realizadas atividades com adolescentes do 6º ao 9º ano abordando saúde mental, prevenção de IST, bullying, alimentação saudável, uso de álcool e drogas, autocuidado e projeto de vida, utilizando metodologias participativas e linguagem adequada à faixa etária. Essas ações fortaleceram a integração entre saúde, educação e comunidade, ampliando o acesso dos adolescentes à informação e às ações de promoção da saúde. A situação-problema foi enfrentada por meio da reorganização estrutural da assistência e da ampliação da capacidade técnica municipal. A implantação da Central de Livre Demanda possibilitou absorver atendimentos agudos e intercorrências clínicas sem comprometer o cuidado programado das equipes de ESF. Com isso, houve ampliação do acesso às consultas programadas, fortalecimento da longitudinalidade do cuidado, maior organização das agendas assistenciais e qualificação do acompanhamento de usuários com hipertensão, diabetes e multimorbidades. Além disso, o apoio técnico da universidade e os processos de educação permanente fortaleceram os profissionais da APS, qualificando os processos de trabalho e a organização da rede municipal de saúde. A integração entre universidade, gestão municipal e comunidade também contribuiu para formação profissional alinhada às necessidades reais do SUS e para consolidação de práticas inovadoras de integração ensino–serviço–comunidade em município de pequeno porte.

Resultados principais

Implantação da Central de Livre Demanda, ampliando o acesso oportuno para atendimentos agudos e reduzindo a sobrecarga assistencial das equipes de Estratégia Saúde da Família. Reorganização dos fluxos assistenciais e das agendas da APS, fortalecendo o acompanhamento longitudinal de pessoas com hipertensão arterial, diabetes mellitus e multimorbidades. Qualificação dos processos de trabalho por meio da implantação de protocolos assistenciais, apoio técnico à gestão municipal e educação permanente das equipes de saúde. Desenvolvimento de ações de promoção da saúde no ambiente escolar, envolvendo adolescentes em atividades sobre saúde mental, prevenção de IST, bullying, autocuidado, alimentação saudável e prevenção ao uso de álcool e drogas. Fortalecimento da integração ensino–serviço–comunidade, com inserção supervisionada de estudantes de Medicina nas ações da APS e do Programa Saúde na Escola, contribuindo para formação alinhada às necessidades do SUS.

Engajamento da comunidade e diálogo

A iniciativa contou com participação ativa da comunidade desde o processo de reorganização da rede municipal de saúde, especialmente por meio do diálogo entre gestão, equipes da APS, usuários e Conselho Municipal de Saúde. As demandas relacionadas à dificuldade de acesso, sobrecarga das equipes e necessidade de ampliação do cuidado programado emergiram do cotidiano dos serviços e da população usuária. Além disso, as ações extensionistas e o Programa Saúde na Escola envolveram adolescentes, famílias, profissionais da educação e comunidade escolar em atividades de promoção da saúde, fortalecendo espaços de escuta, participação social e integração entre universidade, serviços de saúde e território.

Medição, registro e avaliação

Os resultados são monitorados por meio de indicadores assistenciais, registros em prontuário eletrônico, relatórios da gestão e acompanhamento das atividades desenvolvidas pelas equipes da APS e da universidade. São avaliados à reorganização das agendas, ampliação do acesso ao atendimento agudo na Central de Livre Demanda, aumento da capacidade para consultas programadas e fortalecimento do acompanhamento. As ações extensionistas são registradas por listas de participação, relatórios técnicos e supervisão docente. São acompanhados indicadores relacionados à solicitação de hemoglobina glicada, avaliação clínica, rastreamento do pé diabético e participação das equipes em processos de educação permanente. O cuidado foi estruturado por linhas de cuidado, fortalecendo os componentes de qualidade propostos pelo Ministério da Saúde. Realiza monitoramento contínuo das internações por condições sensíveis à APS, utilizando esses indicadores como instrumento de avaliação da resolutividade.

Desafios de implementação

Os principais desafios envolveram a reorganização dos fluxos assistenciais em uma rede com elevada demanda espontânea e limitada capacidade operacional das equipes de Estratégia Saúde da Família. Houve necessidade de reorganizar agendas, implantar a Central de Livre Demanda sem comprometer o cuidado programado e fortalecer a cultura do acompanhamento longitudinal das condições crônicas. Também foram desafios a integração entre gestão municipal, universidade e serviços de saúde, a adaptação dos processos de trabalho das equipes, a implantação de protocolos assistenciais e a consolidação de espaços permanentes de educação permanente. Outro aspecto importante foi estruturar a inserção supervisionada dos estudantes de Medicina no território de forma integrada às necessidades da APS e da comunidade.

Fatores de sucesso

O sucesso da iniciativa está relacionado à forte integração entre gestão municipal, universidade comunitária, equipes da APS e comunidade, permitindo construção coletiva das soluções a partir das necessidades reais do território. A parceria possibilitou apoio técnico contínuo à gestão, reorganização dos fluxos assistenciais e fortalecimento da Atenção Primária à Saúde sem fragmentar o cuidado. A implantação da Central de Livre Demanda contribuiu para reorganizar o atendimento agudo e ampliar a capacidade das equipes de ESF para o acompanhamento longitudinal das condições crônicas. Além disso, a educação permanente, a implantação de protocolos e a inserção supervisionada de estudantes de Medicina fortaleceram os processos de trabalho e a integração ensino–serviço–comunidade. Outro fator fundamental foi o compromisso institucional da gestão municipal e da universidade com a qualificação do SUS local, associado ao monitoramento contínuo dos indicadores assistenciais.

Aprendizagem obtida

A experiência demonstrou que a integração entre gestão municipal, universidade e APS amplia a capacidade técnica de municípios pequenos e fortalece o SUS local. Observou-se a importância da organização do cuidado por linhas de cuidado, educação permanente e reorganização dos fluxos assistenciais. A implantação da Central de Livre Demanda exigiu ajustes contínuos nas agendas, protocolos e processos de trabalho, fortalecendo a longitudinalidade e a resolutividade da APS.

Legislação envolvida

Lei nº 8.080/1990 – dispõe sobre a organização e funcionamento do Sistema Único de Saúde. Lei nº 8.142/1990 – regulamenta participação social e financiamento do SUS. Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) – Portaria GM/MS nº 2.436/2017. Resolução CNE/CES nº 7/2018 – estabelece as Diretrizes para Extensão na Educação Superior Brasileira e curricularização da extensão. Lei nº 14.133/2021 – Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos.

Prêmios já recebidos

10º Congresso Estadual das Secretarias Municipais de Saúde, na 8ª Mostra “Brasil, aqui tem SUS”,

Mais informações

Profª. Dra. Karen Cristina Kades Andrigue Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó Consultora e assessora em Gestão de Serviços de Saúde E-mail: [email ocultado] Telefone: [telefone ocultado]

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