As Tradições Orais e a Valorização da Memória
Resumo
Categoria temática
Públicos priorizados
Participantes
- Coordenador da boa prática
- JOICELINE BRUTSCHER SCHUH SAUSEN
- Email do coordenador
- [email ocultado]
- Telefone do coordenador
- [telefone ocultado]
- Órgãos da administração direta/indireta envolvidos
- Órgãos da administração direta: Secretaria Municipal de Educação (SME) e Escola Municipal Osvin Schmitt. Órgãos da administração indireta: Não houve envolvimento de órgãos da administração indireta.
- Equipe responsável
-
JOICELINE BRUTSCHER SCHUH SAUSENPROFESSORAESCOLA MUNICIPAL OSVIN SCHMITTVilson Jair SausenDiretorEscola Municipal Osvin Schmitt
Detalhamento
Situação problema, oportunidade ou demanda
A prática nasceu do desafio de tornar o ensino de História abstrato em algo vivo para alunos do 5º ano, combatendo o desinteresse pelos conteúdos tradicionais. Identificou-se a oportunidade de usar a rica memória oral da comunidade local, que corria o risco de se perder pelo avanço digital e pelo distanciamento entre gerações. A demanda foi conectar a realidade dos estudantes ao currículo escolar, transformando a bagagem cultural de suas famílias em base para o aprendizado crítico.
Estrutura necessária para implementação
A estrutura necessária é simples: 1. Equipe: professor regente na mediação, direção escolar no apoio e engajamento das famílias e comunidade. 2. Espaço: sala do centro de eventos do município e a escola. 3. Equipamentos: celulares para gravação dos relatos, computador e impressora para compilação. 4. Materiais: cadernos para anotações, papel sulfite, lápis de cor, canetas para as ilustrações e registros, além de insumos para a encadernação artesanal dos livros.
Objetivos da boa prática
O objetivo da iniciativa é tornar o ensino de História e Linguagens significativo por meio do resgate do patrimônio imaterial local. A prática busca desenvolver o protagonismo e a escrita dos alunos do 5º ano, além de aproximar a escola e a comunidade através do diálogo intergeracional. Visa também valorizar o idoso como fonte de sabedoria e produzir registros escritos e artísticos que preservem a memória da região, transformando os relatos orais em um acervo cultural duradouro.
Estratégia de implementação
A ação principal ocorreu no centro de eventos, reunindo idosos da comunidade para uma roda de chimarrão com os alunos para a coleta dos relatos orais. Em sala, os estudantes debateram as memórias, transcreveram as histórias e criaram ilustrações. O material foi impresso e encadernado, gerando livros físicos. Como culminância, realizou-se um evento especial de homenagem, onde cada idoso participante recebeu uma cópia da obra, fortalecendo os vínculos intergeracionais.
Atividades implementadas
As ações executadas foram: Aulas teóricas sobre patrimônio cultural, memória e tradição oral. Planejamento do roteiro de perguntas pelos alunos. Realização do encontro no centro de eventos com roda de chimarrão para entrevista e coleta dos relatos dos idosos. Análise e debate das histórias gravadas em sala de aula. Produção textual e criação de ilustrações pelos estudantes. Impressão e encadernação do livro físico. Evento de culminância com homenagem e entrega das cópias aos idosos.
Início de execução
22/09/2025
Recursos humanos e financeiros envolvidos
Uma professora regente do 5º ano (coordenação e mediação), direção da escola (apoio logístico), alunos e os idosos voluntários da comunidade. Custo financeiro direto zero. O projeto utilizou a estrutura física da escola e do centro de eventos municipal. Os materiais para a produção, impressão e encadernação dos livros (papel, tinta e capas) foram custeados com recursos e insumos didáticos já disponíveis na própria secretaria de educação.
Participação social
A participação social foi o pilar do projeto. Os idosos da comunidade atuaram como voluntários e detentores do saber, compartilhando suas memórias na roda de chimarrão. As famílias apoiaram o resgate das raízes locais. A culminância aconteceu na escola e contou com o engajamento da comunidade escolar e a presença de vários agentes políticos do município, que prestigiaram a homenagem e reconheceram a importância da iniciativa na preservação do patrimônio cultural local.
Resultados
Inovação da prática
A inovação consistiu em transformar a tradição cultural da roda de chimarrão em um espaço pedagógico de pesquisa histórica e alfabetização. A prática rompeu o ensino tradicional e abstrato de História, substituindo livros didáticos pela memória viva dos idosos locais. A iniciativa uniu afeto e rigor curricular ao transformar relatos orais em um livro físico artesanal, promovendo inclusão social, Letramento e o resgate da identidade do município de forma ativa.
Número aproximado de pessoas impactadas
Cerca de 60 pessoas, entre alunos, idosos homenageados, familiares e comunidade escolar.
Benefícios qualitativos aos grupos priorizados
A iniciativa gerou profundos benefícios qualitativos para todos os grupos envolvidos. Para os alunos do 5º ano, a prática transformou o aprendizado de História e Linguagens em algo concreto e significativo, desenvolvendo habilidades de escrita, escuta atenta, oralidade e empatia, além de fortalecer o protagonismo juvenil ao transformá-los em autores do livro. Para os idosos da comunidade, o projeto proporcionou um forte sentimento de valorização social, inclusão e pertencimento, resgatando sua autoestima ao posicioná-los como fontes essenciais de sabedoria e guardiões da memória local. Para a comunidade escolar e os agentes políticos municipais, a ação fortaleceu os vínculos intergeracionais, promoveu o resgate do patrimônio imaterial da região e transformou a escola em um polo de preservação cultural, gerando orgulho coletivo através da homenagem e da entrega do livro físico.
Etapas de implementação e resolução da situação-problema
A implementação do projeto foi estruturada em quatro etapas principais, articuladas para responder diretamente aos desafios diagnosticados na realidade escolar. Na primeira etapa, de Sensibilização e Planejamento Pedagógico, os alunos do 5º ano participaram de aulas teóricas e debates sobre os conceitos de patrimônio imaterial, memória, tradição oral e a história do próprio município. Nessa fase, a turma construiu coletivamente um roteiro de perguntas norteadoras voltadas a resgatar as vivências, costumes e transformações da região ao longo do tempo. Na segunda etapa, do Encontro Intergeracional e Coleta de Relatos, a ação principal foi realizada no centro de eventos do município, onde a escola reuniu idosos voluntários da comunidade. O espaço foi organizado para uma roda de chimarrão com os estudantes, criando um ambiente acolhedor, descontraído e culturalmente contextualizado. Nesse momento de escuta atenta, os alunos entrevistaram os idosos e registraram os relatos orais por meio de anotações e gravações. Na terceira etapa, de Produção Textual e Artística, os estudantes voltaram à sala de aula, debateram as memórias compartilhadas e cruzaram as informações com o currículo de História e Linguagens. Em seguida, iniciou-se o processo de transcrição, retextualização e criação de ilustrações, transformando as narrativas em capítulos escritos. Todo o material foi impresso e encadernado artesanalmente, gerando o livro físico da turma. Na quarta etapa, de Culminância e Homenagem, o encerramento do projeto ocorreu na própria escola, com um evento especial que contou com a presença da comunidade escolar, familiares e vários agentes políticos do município. Na ocasião, os idosos foram homenageados e cada um recebeu uma cópia impressa do livro confeccionado pelos alunos. A situação-problema foi resolvida de forma integrada em três frentes principais. Primeiramente, no âmbito do Significado no Ensino e Protagonismo, a iniciativa afastou o ensino tradicional e abstrato de História e Linguagens, aproximando-o da realidade dos alunos. Ao transformar os estudantes em pesquisadores e autores de um livro físico real, o projeto desenvolveu de forma prática as habilidades de escrita, interpretação textual e oralidade, combatendo o desinteresse escolar. Em segundo lugar, na Valorização do Idoso, a prática combateu a invisibilidade e o distanciamento geracional sofrido por essa população. A roda de chimarrão e a posterior homenagem colocaram o idoso no centro do processo educativo, validando sua história de vida como fonte de sabedoria e resgatando significativamente sua autoestima e senso de pertencimento comunitário. Por fim, na Preservação da Memória Local, resolveu-se o risco de perda do patrimônio histórico imaterial do município. Ao registrar em papel as narrativas que antes existiam apenas na oralidade, a escola gerou um acervo cultural permanente, aproximando a sociedade, a política local e a instituição de ensino na salvaguarda da identidade da região.
Resultados principais
A iniciativa alcançou cinco resultados de grande relevância pedagógica e social. Primeiramente, promoveu o desenvolvimento prático do letramento e protagonismo dos alunos do 5º ano, que aprimoraram suas competências de escrita, oralidade e empatia através da pesquisa de campo. Em segundo lugar, consolidou a produção e confecção artesanal de um livro físico inédito, registrando em papel o acervo de memórias locais. O terceiro resultado foi o fortalecimento da autoestima e inclusão social dos idosos participantes, que foram valorizados como protagonistas e guardiões da história do município. Quarto, estabeleceu-se um estreito vínculo intergeracional e comunitário ao unir a escola, as famílias e a população idosa. Por fim, o projeto conquistou o reconhecimento institucional e a articulação com a gestão pública, evidenciada pela presença e engajamento de diversos agentes políticos na culminância da ação.
Engajamento da comunidade e diálogo
Sim, houve um profundo engajamento da comunidade e os resultados foram amplamente comunicados à população. O diálogo e a construção da iniciativa começaram de forma direta e participativa, com as famílias apoiando a proposta e os idosos atuando voluntariamente como os pilares da pesquisa. A comunicação dos resultados e o diálogo com a sociedade civil e o poder público se consolidaram no evento de culminância realizado na própria escola. Esse momento especial funcionou como um canal aberto de prestação de contas e celebração cultural, onde a comunidade escolar, os familiares dos estudantes e diversos agentes políticos do município puderam testemunhar o impacto da ação. A entrega pública de uma cópia impressa do livro artesanal a cada idoso participante simbolizou a devolução desse patrimônio cultural à comunidade, eternizando as memórias locais.
Medição, registro e avaliação
Os resultados da iniciativa foram medidos, registrados e avaliados de forma contínua e multidimensional. O registro do processo deu-se em todas as etapas, utilizando fotografias, relatórios pedagógicos da professora, anotações de campo dos estudantes e gravações em áudio das entrevistas realizadas com os idosos. A avaliação quantitativa foi medida pela entrega e confecção do livro físico da turma e pelo número de idosos e famílias ativamente engajados na ação. No aspecto qualitativo, a avaliação ocorreu por meio da observação direta do desenvolvimento dos alunos do 5º ano quanto às habilidades de leitura, escrita, oralidade e empatia, demonstradas na retextualização dos relatos. Além disso, o impacto social e a eficácia da culminância foram mensurados pelo feedback emocional dos idosos homenageados e pelo reconhecimento público dos agentes políticos e da comunidade escolar presentes no evento.
Desafios de implementação
A implementação da iniciativa enfrentou três desafios principais, superados com planejamento e articulação. O primeiro foi de ordem logística e de mobilização, consistindo em organizar o deslocamento e garantir a participação segura e confortável dos idosos da comunidade até o centro de eventos municipal para a roda de chimarrão. O segundo desafio foi de caráter pedagógico, focado em orientar e preparar os alunos do 5º ano para uma escuta atenta, sensível e respeitosa, além de capacitá-los na posterior transcrição e adaptação das narrativas orais para o formato escrito de livro. Por fim, houve o desafio técnico e material na etapa de produção, que exigiu criatividade da equipe escolar para confeccionar e encadernar os livros de forma artesanal, utilizando apenas os recursos didáticos já disponíveis na escola, garantindo o custo financeiro direto zero.
Fatores de sucesso
O sucesso da iniciativa é atribuído à força da afetividade, ao resgate da identidade cultural e ao trabalho colaborativo entre escola e sociedade. Ao transformar uma tradição local, como a roda de chimarrão, em uma ferramenta pedagógica ativa, o projeto gerou um aprendizado com significado real para os alunos do 5º ano, impulsionando o protagonismo juvenil. Outro fator decisivo foi o acolhimento e a valorização dos idosos, que se sentiram pertencentes e motivados a compartilhar suas memórias ao perceberem o respeito dos estudantes. Além disso, a simplicidade estrutural da prática provou que é possível inovar na educação pública com custo financeiro direto zero, otimizando os recursos disponíveis. Por fim, o forte engajamento das famílias e o reconhecimento institucional dos agentes políticos municipais na culminância legitimaram a importância da ação, consolidando a escola como um polo de preservação do patrimônio histórico imaterial da comunidade.
Aprendizagem obtida
A principal lição foi que a história local e o afeto são ferramentas poderosas de alfabetização e letramento. Aprendemos que a inovação pedagógica viabiliza-se com custo zero ao otimizar recursos da rede e saberes comunitários. Como ajuste, aprimoramos o tempo de escuta ativa dos alunos para respeitar o ritmo dos idosos. O conhecimento gerado uniu teoria e prática, criando uma metodologia replicável de salvaguarda da memória imaterial e provando a eficácia da união entre escola e comunidade.
Legislação envolvida
A iniciativa alinha-se à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no desenvolvimento das competências de Empatia, Repertório Cultural e Comunicação, além das habilidades de História e Linguagens para o 5º ano. Atende à Lei nº 10.639/03 e ao artigo 216 da Constituição Federal na valorização e preservação do patrimônio cultural imaterial. Por fim, cumpre as diretrizes do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03) ao promover o direito à cultura, dignidade e convivência intergeracional.
Prêmios já recebidos
Não informado
Mais informações
Professora Regente do 5º Ano: Joiceline Brutscher Schuh Sausen – Responsável pela mediação pedagógica, planejamento das etapas e aplicação da prática com os alunos. [email ocultado]/ FONE: [telefone ocultado] Direção Escolar: Vilson Jair Sausen – Respons
Links e arquivos
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