Boas Práticas
Voltar para home
Entidade: PREFEITURA DE CUNHATAI Município: CUNHATAI UF: SC

As Tradições Orais e a Valorização da Memória

Chamamento: CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 001/2026 - “MOSTRA DE BOAS PRÁTICAS MUNICIPAIS” Baixar chamamento (PDF)
ODS 4 ODS 10 ODS 11 ODS 16

Resumo

O projeto foi realizado com alunos do 5º ano através de rodas de conversa, pesquisas em família e coleta de relatos orais com os moradores mais velhos da comunidade. Em sala de aula, os estudantes analisaram essas memórias, conectando as narrativas locais aos conteúdos de História e Linguagens. O trabalho resultou na produção de registros escritos e ilustrados pelos próprios alunos, transformando a sabedoria popular em patrimônio escolar e fortalecendo os vínculos entre as gerações.

Categoria temática

Educação

Públicos priorizados

Professores/trabalhadores da educação Estudantes Gestores Municipais Cidadãos/Comunidade em geral

Participantes

Coordenador da boa prática
JOICELINE BRUTSCHER SCHUH SAUSEN
Email do coordenador
[email ocultado]
Telefone do coordenador
[telefone ocultado]
Órgãos da administração direta/indireta envolvidos
Órgãos da administração direta: Secretaria Municipal de Educação (SME) e Escola Municipal Osvin Schmitt. Órgãos da administração indireta: Não houve envolvimento de órgãos da administração indireta.
Equipe responsável
JOICELINE BRUTSCHER SCHUH SAUSEN
PROFESSORA
ESCOLA MUNICIPAL OSVIN SCHMITT
Vilson Jair Sausen
Diretor
Escola Municipal Osvin Schmitt

Detalhamento

Situação problema, oportunidade ou demanda

A prática nasceu do desafio de tornar o ensino de História abstrato em algo vivo para alunos do 5º ano, combatendo o desinteresse pelos conteúdos tradicionais. Identificou-se a oportunidade de usar a rica memória oral da comunidade local, que corria o risco de se perder pelo avanço digital e pelo distanciamento entre gerações. A demanda foi conectar a realidade dos estudantes ao currículo escolar, transformando a bagagem cultural de suas famílias em base para o aprendizado crítico.

Estrutura necessária para implementação

A estrutura necessária é simples: 1. Equipe: professor regente na mediação, direção escolar no apoio e engajamento das famílias e comunidade. 2. Espaço: sala do centro de eventos do município e a escola. 3. Equipamentos: celulares para gravação dos relatos, computador e impressora para compilação. 4. Materiais: cadernos para anotações, papel sulfite, lápis de cor, canetas para as ilustrações e registros, além de insumos para a encadernação artesanal dos livros.

Objetivos da boa prática

O objetivo da iniciativa é tornar o ensino de História e Linguagens significativo por meio do resgate do patrimônio imaterial local. A prática busca desenvolver o protagonismo e a escrita dos alunos do 5º ano, além de aproximar a escola e a comunidade através do diálogo intergeracional. Visa também valorizar o idoso como fonte de sabedoria e produzir registros escritos e artísticos que preservem a memória da região, transformando os relatos orais em um acervo cultural duradouro.

Estratégia de implementação

A ação principal ocorreu no centro de eventos, reunindo idosos da comunidade para uma roda de chimarrão com os alunos para a coleta dos relatos orais. Em sala, os estudantes debateram as memórias, transcreveram as histórias e criaram ilustrações. O material foi impresso e encadernado, gerando livros físicos. Como culminância, realizou-se um evento especial de homenagem, onde cada idoso participante recebeu uma cópia da obra, fortalecendo os vínculos intergeracionais.

Atividades implementadas

As ações executadas foram: Aulas teóricas sobre patrimônio cultural, memória e tradição oral. Planejamento do roteiro de perguntas pelos alunos. Realização do encontro no centro de eventos com roda de chimarrão para entrevista e coleta dos relatos dos idosos. Análise e debate das histórias gravadas em sala de aula. Produção textual e criação de ilustrações pelos estudantes. Impressão e encadernação do livro físico. Evento de culminância com homenagem e entrega das cópias aos idosos.

Início de execução

22/09/2025

Recursos humanos e financeiros envolvidos

Uma professora regente do 5º ano (coordenação e mediação), direção da escola (apoio logístico), alunos e os idosos voluntários da comunidade. Custo financeiro direto zero. O projeto utilizou a estrutura física da escola e do centro de eventos municipal. Os materiais para a produção, impressão e encadernação dos livros (papel, tinta e capas) foram custeados com recursos e insumos didáticos já disponíveis na própria secretaria de educação.

Participação social

A participação social foi o pilar do projeto. Os idosos da comunidade atuaram como voluntários e detentores do saber, compartilhando suas memórias na roda de chimarrão. As famílias apoiaram o resgate das raízes locais. A culminância aconteceu na escola e contou com o engajamento da comunidade escolar e a presença de vários agentes políticos do município, que prestigiaram a homenagem e reconheceram a importância da iniciativa na preservação do patrimônio cultural local.

Resultados

Inovação da prática

A inovação consistiu em transformar a tradição cultural da roda de chimarrão em um espaço pedagógico de pesquisa histórica e alfabetização. A prática rompeu o ensino tradicional e abstrato de História, substituindo livros didáticos pela memória viva dos idosos locais. A iniciativa uniu afeto e rigor curricular ao transformar relatos orais em um livro físico artesanal, promovendo inclusão social, Letramento e o resgate da identidade do município de forma ativa.

Número aproximado de pessoas impactadas

Cerca de 60 pessoas, entre alunos, idosos homenageados, familiares e comunidade escolar.

Benefícios qualitativos aos grupos priorizados

A iniciativa gerou profundos benefícios qualitativos para todos os grupos envolvidos. Para os alunos do 5º ano, a prática transformou o aprendizado de História e Linguagens em algo concreto e significativo, desenvolvendo habilidades de escrita, escuta atenta, oralidade e empatia, além de fortalecer o protagonismo juvenil ao transformá-los em autores do livro. Para os idosos da comunidade, o projeto proporcionou um forte sentimento de valorização social, inclusão e pertencimento, resgatando sua autoestima ao posicioná-los como fontes essenciais de sabedoria e guardiões da memória local. Para a comunidade escolar e os agentes políticos municipais, a ação fortaleceu os vínculos intergeracionais, promoveu o resgate do patrimônio imaterial da região e transformou a escola em um polo de preservação cultural, gerando orgulho coletivo através da homenagem e da entrega do livro físico.

Etapas de implementação e resolução da situação-problema

A implementação do projeto foi estruturada em quatro etapas principais, articuladas para responder diretamente aos desafios diagnosticados na realidade escolar. Na primeira etapa, de Sensibilização e Planejamento Pedagógico, os alunos do 5º ano participaram de aulas teóricas e debates sobre os conceitos de patrimônio imaterial, memória, tradição oral e a história do próprio município. Nessa fase, a turma construiu coletivamente um roteiro de perguntas norteadoras voltadas a resgatar as vivências, costumes e transformações da região ao longo do tempo. Na segunda etapa, do Encontro Intergeracional e Coleta de Relatos, a ação principal foi realizada no centro de eventos do município, onde a escola reuniu idosos voluntários da comunidade. O espaço foi organizado para uma roda de chimarrão com os estudantes, criando um ambiente acolhedor, descontraído e culturalmente contextualizado. Nesse momento de escuta atenta, os alunos entrevistaram os idosos e registraram os relatos orais por meio de anotações e gravações. Na terceira etapa, de Produção Textual e Artística, os estudantes voltaram à sala de aula, debateram as memórias compartilhadas e cruzaram as informações com o currículo de História e Linguagens. Em seguida, iniciou-se o processo de transcrição, retextualização e criação de ilustrações, transformando as narrativas em capítulos escritos. Todo o material foi impresso e encadernado artesanalmente, gerando o livro físico da turma. Na quarta etapa, de Culminância e Homenagem, o encerramento do projeto ocorreu na própria escola, com um evento especial que contou com a presença da comunidade escolar, familiares e vários agentes políticos do município. Na ocasião, os idosos foram homenageados e cada um recebeu uma cópia impressa do livro confeccionado pelos alunos. A situação-problema foi resolvida de forma integrada em três frentes principais. Primeiramente, no âmbito do Significado no Ensino e Protagonismo, a iniciativa afastou o ensino tradicional e abstrato de História e Linguagens, aproximando-o da realidade dos alunos. Ao transformar os estudantes em pesquisadores e autores de um livro físico real, o projeto desenvolveu de forma prática as habilidades de escrita, interpretação textual e oralidade, combatendo o desinteresse escolar. Em segundo lugar, na Valorização do Idoso, a prática combateu a invisibilidade e o distanciamento geracional sofrido por essa população. A roda de chimarrão e a posterior homenagem colocaram o idoso no centro do processo educativo, validando sua história de vida como fonte de sabedoria e resgatando significativamente sua autoestima e senso de pertencimento comunitário. Por fim, na Preservação da Memória Local, resolveu-se o risco de perda do patrimônio histórico imaterial do município. Ao registrar em papel as narrativas que antes existiam apenas na oralidade, a escola gerou um acervo cultural permanente, aproximando a sociedade, a política local e a instituição de ensino na salvaguarda da identidade da região.

Resultados principais

A iniciativa alcançou cinco resultados de grande relevância pedagógica e social. Primeiramente, promoveu o desenvolvimento prático do letramento e protagonismo dos alunos do 5º ano, que aprimoraram suas competências de escrita, oralidade e empatia através da pesquisa de campo. Em segundo lugar, consolidou a produção e confecção artesanal de um livro físico inédito, registrando em papel o acervo de memórias locais. O terceiro resultado foi o fortalecimento da autoestima e inclusão social dos idosos participantes, que foram valorizados como protagonistas e guardiões da história do município. Quarto, estabeleceu-se um estreito vínculo intergeracional e comunitário ao unir a escola, as famílias e a população idosa. Por fim, o projeto conquistou o reconhecimento institucional e a articulação com a gestão pública, evidenciada pela presença e engajamento de diversos agentes políticos na culminância da ação.

Engajamento da comunidade e diálogo

Sim, houve um profundo engajamento da comunidade e os resultados foram amplamente comunicados à população. O diálogo e a construção da iniciativa começaram de forma direta e participativa, com as famílias apoiando a proposta e os idosos atuando voluntariamente como os pilares da pesquisa. A comunicação dos resultados e o diálogo com a sociedade civil e o poder público se consolidaram no evento de culminância realizado na própria escola. Esse momento especial funcionou como um canal aberto de prestação de contas e celebração cultural, onde a comunidade escolar, os familiares dos estudantes e diversos agentes políticos do município puderam testemunhar o impacto da ação. A entrega pública de uma cópia impressa do livro artesanal a cada idoso participante simbolizou a devolução desse patrimônio cultural à comunidade, eternizando as memórias locais.

Medição, registro e avaliação

Os resultados da iniciativa foram medidos, registrados e avaliados de forma contínua e multidimensional. O registro do processo deu-se em todas as etapas, utilizando fotografias, relatórios pedagógicos da professora, anotações de campo dos estudantes e gravações em áudio das entrevistas realizadas com os idosos. A avaliação quantitativa foi medida pela entrega e confecção do livro físico da turma e pelo número de idosos e famílias ativamente engajados na ação. No aspecto qualitativo, a avaliação ocorreu por meio da observação direta do desenvolvimento dos alunos do 5º ano quanto às habilidades de leitura, escrita, oralidade e empatia, demonstradas na retextualização dos relatos. Além disso, o impacto social e a eficácia da culminância foram mensurados pelo feedback emocional dos idosos homenageados e pelo reconhecimento público dos agentes políticos e da comunidade escolar presentes no evento.

Desafios de implementação

A implementação da iniciativa enfrentou três desafios principais, superados com planejamento e articulação. O primeiro foi de ordem logística e de mobilização, consistindo em organizar o deslocamento e garantir a participação segura e confortável dos idosos da comunidade até o centro de eventos municipal para a roda de chimarrão. O segundo desafio foi de caráter pedagógico, focado em orientar e preparar os alunos do 5º ano para uma escuta atenta, sensível e respeitosa, além de capacitá-los na posterior transcrição e adaptação das narrativas orais para o formato escrito de livro. Por fim, houve o desafio técnico e material na etapa de produção, que exigiu criatividade da equipe escolar para confeccionar e encadernar os livros de forma artesanal, utilizando apenas os recursos didáticos já disponíveis na escola, garantindo o custo financeiro direto zero.

Fatores de sucesso

O sucesso da iniciativa é atribuído à força da afetividade, ao resgate da identidade cultural e ao trabalho colaborativo entre escola e sociedade. Ao transformar uma tradição local, como a roda de chimarrão, em uma ferramenta pedagógica ativa, o projeto gerou um aprendizado com significado real para os alunos do 5º ano, impulsionando o protagonismo juvenil. Outro fator decisivo foi o acolhimento e a valorização dos idosos, que se sentiram pertencentes e motivados a compartilhar suas memórias ao perceberem o respeito dos estudantes. Além disso, a simplicidade estrutural da prática provou que é possível inovar na educação pública com custo financeiro direto zero, otimizando os recursos disponíveis. Por fim, o forte engajamento das famílias e o reconhecimento institucional dos agentes políticos municipais na culminância legitimaram a importância da ação, consolidando a escola como um polo de preservação do patrimônio histórico imaterial da comunidade.

Aprendizagem obtida

A principal lição foi que a história local e o afeto são ferramentas poderosas de alfabetização e letramento. Aprendemos que a inovação pedagógica viabiliza-se com custo zero ao otimizar recursos da rede e saberes comunitários. Como ajuste, aprimoramos o tempo de escuta ativa dos alunos para respeitar o ritmo dos idosos. O conhecimento gerado uniu teoria e prática, criando uma metodologia replicável de salvaguarda da memória imaterial e provando a eficácia da união entre escola e comunidade.

Legislação envolvida

A iniciativa alinha-se à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no desenvolvimento das competências de Empatia, Repertório Cultural e Comunicação, além das habilidades de História e Linguagens para o 5º ano. Atende à Lei nº 10.639/03 e ao artigo 216 da Constituição Federal na valorização e preservação do patrimônio cultural imaterial. Por fim, cumpre as diretrizes do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03) ao promover o direito à cultura, dignidade e convivência intergeracional.

Prêmios já recebidos

Não informado

Mais informações

Professora Regente do 5º Ano: Joiceline Brutscher Schuh Sausen – Responsável pela mediação pedagógica, planejamento das etapas e aplicação da prática com os alunos. [email ocultado]/ FONE: [telefone ocultado] Direção Escolar: Vilson Jair Sausen – Respons

Links e arquivos