Boas Práticas
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Entidade: PREFEITURA DE JOACABA Município: JOACABA UF: SC

A revolta virou arte: Arte, expressão emocional e desenvolvimento integral na educação pública municipal.

Chamamento: CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 001/2026 - “MOSTRA DE BOAS PRÁTICAS MUNICIPAIS” Baixar chamamento (PDF)
ODS 3 ODS 4 ODS 10 ODS 16

Resumo

O projeto foi desenvolvido pela Intendência de Cultura em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Joaçaba/SC junto a estudantes dos anos iniciais da Escola Nuperajo, entre agosto e novembro de 2025, com foco no desenvolvimento emocional, expressão artística, fortalecimento de vínculos e promoção do bem-estar infantil. Ao longo do processo, observou-se ampliação da capacidade de verbalização das emoções, melhora na cooperação entre os participantes, maior percepção de si e do outro.

Categoria temática

Educação

Vídeo de apresentação

Públicos priorizados

Estudantes

Participantes

Coordenador da boa prática
Caroline Brunoni
Email do coordenador
[email ocultado]
Telefone do coordenador
[telefone ocultado]
Órgãos da administração direta/indireta envolvidos
Secretaria de Comunicação, Cultura, Turismo e Eventos; Secretaria Municipal de Educação.
Equipe responsável
Caroline Brunoni
Chefe de atividades Culturais e Turísticas
Secretaria de Comunicação, Cultura, Turismo e Eventos
Ana Paula Mantovani
Psicóloga da Equipe Multiprofissional
Secretaria Municipal de Educação
Pedro Rafael Peretti
Intendente de Cultura
Secretaria de Comunicação, Cultura, Turismo e Eventos

Detalhamento

Situação problema, oportunidade ou demanda

Durante o acompanhamento pedagógico nas escolas municipais, constatou-se que muitas crianças apresentavam: situações de descontrole emocional; agressividade; dificuldades de verbalização; retraimento; baixa capacidade de autorregulação; dificuldades de convivência e cooperação. Em diversas situações de conflito, os estudantes demonstravam incapacidade de compreender e expressar aquilo que sentiam, recorrendo frequentemente a comportamentos impulsivos ou ao isolamento emocional.

Estrutura necessária para implementação

A prática requer uma estrutura simples, acessível e adaptável, priorizando ambientes acolhedores e organizados para atividades de expressão artística e desenvolvimento socioemocional. O trabalho foi desenvolvido em uma sala de aula, próxima a pias e torneiras, no entanto a organização do espaço foi adaptada às necessidades do trabalho, como as rodas de conversa, jogos teatrais, ambiente tranquilo e acolhedor, com disponibilização de materiais artísticos/ pedagógicos de baixo custo.

Objetivos da boa prática

Propiciar um ambiente pedagógico acolhedor que estimule e encoraje os educandos a expressarem emoções por meio das linguagens artísticas, fortalecendo processos de autorregulação, convivência, criatividade e desenvolvimento integral.

Estratégia de implementação

Ocorreu de maneira intersetorial entre as duas Secretarias já mencionadas, com acompanhamento da equipe multiprofissional e gestão escolar. Inicialmente, foi realizado levantamento pedagógico das demandas emocionais observadas no ambiente escolar, especialmente relacionadas a dificuldades de convivência, retraimento e baixa capacidade de verbalização emocional entre estudantes dos anos iniciais. Então estruturou-se uma metodologia para encontros semanais, utilizando linguagens artísticas.

Atividades implementadas

Jogos teatrais e cooperativos; Exercícios respiratórios lúdicos e práticas de consciência corporal; Rodas de conversa e escuta acolhedora; Construção das “Casas das Emoções”; Criação de bonecos simbólicos; Produção de desenhos e pinturas; Dramatizações e improvisações; Contação e criação de histórias; Produção artística coletiva; Exercícios de expressão vocal e corporal; Atividades de percepção emocional e convivência; Socialização e apresentação das produções às equipes escolares.

Início de execução

08/08/2025

Recursos humanos e financeiros envolvidos

A prática envolveu profissionais de ambas as pastas, equipe gestora escolar, equipe multiprofissional e coordenação pedagógica. Os recursos financeiros foram de baixo custo, utilizando principalmente: materiais recicláveis, papelão, tintas, tecidos, feltros, materiais de desenho e pintura, fios, colagens, elementos naturais, aromatizadores e música ambiente. A iniciativa priorizou metodologias acessíveis e sustentáveis, com foco no uso criativo de materiais disponíveis.

Participação social

A participação ocorreu de forma ativa e contínua pelas crianças participantes, que contribuíram na construção das narrativas, escolhas estéticas, dramatizações, decisões coletivas e organização simbólica das atividades. A comunidade escolar também participou por meio do acompanhamento pedagógico, observações sobre mudanças comportamentais e apresentação final realizada pelas próprias crianças para colegas e profissionais da escola.

Resultados

Inovação da prática

A inovação da prática está na integração entre arte, educação, desenvolvimento socioemocional e acolhimento pedagógico dentro da escola pública municipal. A proposta rompeu com abordagens exclusivamente disciplinares diante de conflitos emocionais, utilizando linguagens artísticas e expressivas como ferramentas de escuta, elaboração simbólica e fortalecimento da convivência. Outro diferencial foi a articulação intersetorial entre cultura e educação, aliada a uma metodologia de baixo custo.

Número aproximado de pessoas impactadas

Cerca de 10 crianças participaram diretamente. Indiretamente, a comunidade escolar, como um todo.

Benefícios qualitativos aos grupos priorizados

O projeto favoreceu o desenvolvimento emocional das crianças, ampliando a capacidade de verbalização dos sentimentos, fortalecimento da autoestima, melhora na convivência, ampliação da cooperação e desenvolvimento da expressão oral e corporal. Também fortaleceu o vínculo positivo com a escola, promovendo maior sensação de pertencimento, acolhimento e participação no ambiente escolar.

Etapas de implementação e resolução da situação-problema

A implementação ocorreu em etapas articuladas, iniciando com a identificação das demandas emocionais observadas no ambiente escolar; Organização intersetorial entre cultura, educação e equipe multiprofissional; Formação dos grupos de atendimento; Planejamento metodológico das atividades; Realização dos encontros semanais; Registro contínuo das observações pedagógicas; Avaliação qualitativa do desenvolvimento dos participantes; Socialização das produções e encerramento coletivo. A situação problema foi enfrentada pela criação de espaços seguros de expressão emocional e elaboração simbólica, permitindo que as crianças encontrassem formas mais saudáveis de comunicar/identificar sentimentos, conflitos e necessidades.

Resultados principais

Ampliação da capacidade de verbalização emocional pelas crianças; Redução de comportamentos impulsivos durante as atividades; Fortalecimento da cooperação e respeito entre os participantes; Aumento do vínculo positivo com o ambiente escolar; Desenvolvimento da criatividade, oralidade e expressão simbólica.

Engajamento da comunidade e diálogo

Sim. Houve engajamento da comunidade escolar durante todo o processo, especialmente por meio da participação das crianças, equipe pedagógica, coordenação escolar e profissionais da equipe multiprofissional. Os resultados foram compartilhados em momentos de socialização interna na escola, apresentações das produções artísticas e diálogo contínuo entre equipe pedagógica, coordenação, profissionais envolvidos e demais alunos da comunidade escolar. Muitos pais também demonstraram envolvimento com a proposta, por meio de abordagens para expressarem o quão benéfico o desenvolvimento do trabalho estava sendo para seus filhos, de maneira a envolver os familiares em práticas, que as crianças replicavam em casa.

Medição, registro e avaliação

Os resultados foram avaliados qualitativamente por meio de registros fotográficos, relatórios descritivos elaborados após cada encontro, observações pedagógicas, análise das produções artísticas, relatos espontâneos das crianças, acompanhamento da participação e interação nos encontros. Também foram consideradas percepções da equipe escolar acerca das mudanças de comportamento, convivência e expressão emocional dos participantes. Além do relatos de responsáveis sobre os efeitos do trabalho na integração familiar.

Desafios de implementação

A iniciativa para surtir efeito positivo, precisa ser aplicada em grupos pequenos, logo, o alcance direto a um quantitativo numeroso, é um dos principais desafios enfrentados na implementação da iniciativa. Além da organização de horários e espaços escolares, de maneira a não atrapalha a organização curricular, a necessidade de adaptação contínua das propostas conforme o estado emocional do grupo, resistências iniciais à expressão emocional em contexto coletivo, limitações de tempo para aprofundamento de algumas atividades, necessidade de fortalecimento da cultura do acolhimento emocional no ambiente escolar, com essa compreensão pela maioria da equipe pedagógica. Pois, muitas vezes, a própria equipe não está preparada para dialogar com crianças que compreendem e verbalizam suas emoções.

Fatores de sucesso

O sucesso da iniciativa está relacionado à escuta sensível, ao vínculo estabelecido com e entre as crianças, à valorização do processo criativo como caminho de expressão simbólica de conteúdos internos, à integração entre arte e desenvolvimento humano, à metodologia flexível e acolhedora em uma dinâmica viva, ao trabalho intersetorial entre cultura e educação, ao protagonismo infantil durante todas as etapas do projeto, uma vez que eles mesmos foram direcionando as atividades, de acordo com as suas necessidades.

Aprendizagem obtida

A experiência demonstra que a arte pode atuar como potente ferramenta pedagógica de acolhimento emocional, desenvolvimento integral e fortalecimento de vínculos. Também evidencia a importância da criação de espaços escolares voltados à escuta, criatividade e expressão subjetiva das crianças, respeitando singularidades e ampliando possibilidades de convivência. Além de atentar para a necessidade desse trabalho com educadores, pois essas crianças precisam de adultos mais conscientes de si mesmos.

Legislação envolvida

Constituição Federal de 1988; Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990); Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei nº 9.394/1996); Base Nacional Comum Curricular – BNCC;

Prêmios já recebidos

Até o momento, a prática não recebeu premiações formais, encontrando-se em processo de inscrição e apresentação em eventos e mostras de boas práticas.

Mais informações

Caroline Brunoni - Secretaria Municipal de Comunicação, Cultura, Turismo e Eventos de Joaçaba/SC. Responsável técnica pelo projeto.

Links e arquivos